segunda-feira, 21 de março de 2011

História da Umbanda (Resumo) 1° Aula de Desnvolvimento Mediúnico da TU Pai João da Caridade 2006)

- História da Umbanda:

Zélio Fernandino de Moraes fundou a Umbanda em 15 de novembro de 1908, através do Caboclo das Sete Encruzilhadas, numa mesa Kardecista, aos 17 anos. Depois de ter sido dado como louco pelos seus familiares, e depois ter passado por dois exorcismos, por ter sido considerado encapetado. Não tendo resultado um amigo da família, indicou a então recente Federação Kardecista. E lá se deu a manifestação do Caboclo, que contou sua história, de em uma de suas reencarnações, havia sido um padre jesuíta e que esteve no Brasil. E morrera queimado na Inquisição considerado bruxo, por ter previsto o terremoto que se deu em Lisboa. E então anunciou o inicio de uma nova religião: A Umbanda.

PALAVRAS DO CABOCLO: “Se é preciso que eu tenha um nome, digam que sou o Caboclo das Sete Encruzilhadas, pois não há caminhos fechados para mim”.

- Zélio nasceu em 10 de abril de 1892, em São Gonçalo das Neves - RJ. Filho de Joaquim Fernandino Costa (oficial da marinha) e Leonor de Moraes. Desencarnou em 03 de outubro de 1975.
Suas filhas Zélia e Zilméia, continuaram com o seu trabalho, na Tenda Nossa Senhora da Piedade, o primeiro terreiro de umbanda, que existe até hoje, com a direção de Zilméia, que está com seus 90 anos de idade. Depois de sua fundação, foram fundadas mais de 10000 tendas enquanto Zélio esteve encarnado.
- Após 55 anos de trabalho, Zélio, entregou a Tenda para suas filhas. Mais tarde, junto a esposa Maria Isabel de Moraes, médium ativa e aparelho do Caboclo Roxo, fundaram a Cabana Pai Antonio, no distrito de Boca do Mato, município de Cachoeira de Macacu – RJ.
- Pai Antonio, preto-velho que Zélio incorporava, foi à primeira entidade a introduzir elementos físicos à Umbanda, que foi o cachimbo (ou cachimba, como ele mesmo dizia) e depois a guia.

PALAVRAS DO CABOCLO: “Vim para fundar a Umbanda no Brasil, aqui se inicia um novo culto, em que os espíritos de pretos velhos africanos e índios nativos da nossa terra, poderão trabalhar em benefício dos seus irmãos encarnados. Qualquer que seja a cór, raça, credo ou posição social. A prática da caridade no sentido do amor fraterno será a principal característica desse culto”.

- Os espíritos de preto-velhos, índios, caboclos etc., não tinham onde mostrar seus conhecimentos, nem praticar a caridade, pois, os candomblés não aceitavam a incorporação de tais espíritos, porque os mesmos para eles eram eguns (espíritos dos mortos). Exceto nos chamados Candomblés de Caboclo, mas também não eram lugares apropriados, pois fugia da proposta de caridade, que mais tarde seria feita com a Umbanda. Nas mesas kardecistas, também não eram aceitos, pois esses espíritos eram considerados atrasados, para que pudessem fazer sua caridade, tinham que se apresentar como médicos, padres ou irmãs de caridade, se não eram imediatamente expulsos, considerados como obsessores.
- No plano astral já havia há muito se formado a Umbanda, para mais tarde se apresentar no plano material, através de Zélio e o Caboclo das Sete Encruzilhadas.
- Fazendo uma analogia, podemos pensar da seguinte forma: o povo brasileiro é miscigenado. Aqui encontramos as mais diversas raças e crenças, vindas de toda a parte do mundo nada mais justo, a Umbanda ser uma religião genuinamente brasileira.
Os pilares da Umbanda são; os negros africanos, os índios e os brancos. Cada um com sua cultura e fé, trouxeram pra umbandas elementos essenciais e fizeram dela uma religião sem igual.
Com os negros da África, vieram os Orixás, as danças, os batuques e a magia. Dos índios veio o conhecimento das ervas medicinais e magisticas, o conceito de preservação e respeito à natureza, a pajelança. E dos brancos de maioria católica, trouxeram as orações, o conceito de Jesus Cristo, ”amai-vos uns aos outros” e o sincretismo responsável pela preservação da Umbanda. (Sem falar que se os brancos não tivessem vindo para cá, não tivesse trazido os negros como escravos da África, muitos de nós não existiríamos, como somos hoje, e também não existiria a umbanda. Por isso devemos pensar que tudo faz parte de um plano Divino, dentro das Leis Divinas).
Com o tempo e a evolução, vieram os demais espíritos ( ciganos, marujos, baianos, etc.) que se comprazeram da forma do culto e quiseram, participar  trazendo seus conhecimentos e evoluindo junto a nós. Todos dentro da Lei de Umbanda, praticando a caridade.

  • A Umbanda são todas as bandas em uma, é o todo em um.
É a egrégora que reina no céu do Brasil. Todas essas entidades que “baixam” na nossa Umbanda, só o fazem de acordo com a Lei Suprema.

- A Umbanda pode ser considerada uma religião ecumênica, pois não faz distinção de crença, desde que essa crença seja baseada no amor em Deus e ao próximo. Todos os espíritos sendo para ajudar ou pedir ajuda são bem vindos, porque a caridade não é feita só com os encarnados, mas também com os desencarnados. É uma religião sincrética, reencarnacionista, espiritualista, não dogmática; que tem seus fundamentos na caridade desinteressada, no amor ao próximo, no culto aos Orixás e na mediunidade. Sendo uma religião sem dogmas, não existe um ponto fundamental, dando um exemplo das religiões cristo judaica: “Se for bom vai pro céu, se for mal vai pro inferno”. Dentro dela reúnem-se várias crenças. Mas é uma religião pragmática, pois possui um conjunto de regras e formalidades que devem ser seguidas e respeitadas.


RELIGIÃO: Do grego RELIGARE = RELIGAR.
O sentido primitivo da palavra religião, é o de religar o ser humano a Deus, ou a uma Força Maior, criadora de tudo: onipotente, onipresente, onisciente.
Se todos nós viemos Dele, um dia voltaremos a Ele. Então, enquanto isso, o ser humano encontra na religião ou no RELIGARE, um meio de estar mais próximo a Ele.
- As religiões, foram criadas pelo homem moderno de acordo com sua cultura, locais onde moravam e vontades de seus corações.
Há milhares de anos atrás antes de Cristo, não existia o conceito de religião como conhecemos hoje. O que existia era a cultura de um povo e um conceito do que era Sagrado. E tudo era sagrado e Divino: o ser humano e a natureza faziam parte um do outro. Tudo era visto como obra divina de um Ser Superior, e em tudo Ele estava.
Através de suas Divindades, com seus diversos nomes.
- Mas porque hoje existem tantas religiões?
Primeiro porque Deus permitiu. Depois porque com o crescimento populacional do planeta, com a evolução do ser humano, ficou difícil todos terem o mesmo modo de pensar. Até porque Deus nos deu o livre-arbítrio e raciocínio. Por tanto somos diferentes uns dos outros. Mas a essência de toda religião é a mesma: estar mais próximo de um ser Superior e criador; purificarem-se, conhecer-se como ser divino, amor, e evoluir para um dia voltar a Ele.
Eu costumo dizer que as religiões, são as diversas chaves que Deus tem, para abrir e entrar nos corações dos seres humanos. Porque cada coração tem uma fechadura diferente.
- Não existe religião certa ou errada, o que existe são os bons e os maus religiosos.
Toda religião e todo ser humano carrega em si a verdade. Então não adianta discutir, brigar ou querer forçar o outro a acreditar no que você acredita. A intolerância religiosa existe, mas pra que fazermos parte dela. Não é uma competição de quem é melhor, ou de quem vai pro céu ou pro inferno.
 “É na diversidade que encontramos a unidade”. E a unidade é Deus.
- O auto conhecimento, é muito importante para o ser humano. E principalmente para uma pessoa que segue uma religião espiritualista, como a Umbanda. Saber seus defeitos e tentar amenizá-los. Saber suas qualidades e destacá-la, trabalhá-las. Saber seus limites e necessidades como seres físicos e espirituais. Tudo isso é muito importante para um “RELIGARE”, mais sincero e perfeito.
- Como praticar o “RELIGARE”? Com fé, devoção, disciplina moral, mental e física; respeitar a natureza e o seu semelhante, praticar o bem e a caridade e orar.
A oração é um excelente modo de religare. Afasta-nos dos maus pensamentos, disciplinando o nosso mental, carrega as baterias da nossa alma e dos nossos protetores, afasta as negatividades e nos faz estar mais próximos de Deus. Uma oração sincera e diária. Não apenas quando está aflito, com problemas. Pois devemos nos ligar a Deus e suas Divindades todos os dias.


Janaína de Souza

FONTES:

  • Alguns trechos desse texto foram lições passadas para mim, em sonho, ou até mesmo acordadas por minhas Mentoras: Vovó Cambinda da Guiné e Rosana.
  • As partes a qual fala sobre a historia da umbanda foi retirada de um texto da apostila de Teologia de Umbanda, ministrada por Alexandre Cumino, que por sua vez colheu depoimento de viva voz do Babalawô Ronaldo Linhares, presidente da Federação umbandista do Grande ABC e do Santuário Nacional de Umbanda, esse que teve anos de amizade e convivência com Zélio Fernandino de Moraes e sua família.
  

sábado, 19 de março de 2011

Sete Linhas de Umbanda.

As Sete Linhas De Umbanda

2/3/2010 10:17:24
Sete linhas de Umbanda:

Existe uma series de explicações de vários autores Umbandistas a cerca das Sete Linhas de Umbanda. Eu entendo que as Sete Linhas são as sete vibrações divinas, regidas por elementos da natureza, fazes da vida, sentimentos e ensinamentos Divinos, e por Sete Orixás Maiores. Como tudo é regido por sete no Universo: sete cores do arco-íris, sete notas musicais, sete pecados capitais, sete chácras principais etc. E tudo vem de Deus
Segue as sete linhas como eu as entendo:

Linha Etérea, ou regida por Oxalá: É a primeira linha, o patamar mais auto, o divino. Onde se encontram todos os seres maiores de luz. Oxalá, Jesus, Buda... Deus Único.
Linha do conhecimento universal, da criação, da sabedoria divina. Do branco. Onde se encontra todo o sagrado. Da onde tudo vem e para onde tudo vai. São todas as linhas numa só.

Linha das Águas: regida por Yemanjá: Nela se encontra todos os orixás femininos das águas, Oxum (dos rios, cachoeiras, riachos, águas doces corrente em geral), Nanã (orixás dos lagos, fontes, lagoas, poços, águas que não correm). Todas as entidades e elementais, tantos de água doce como de água salgada. Ondinas, sereias. Etc... Linha do principio feminino. Da concepção, da maternidade, da beleza, sensualidade. Tudo nasceu da água. Na linha das águas também entram os guias como Marinheiros e Marujos, que também podem obedecer aos respectivos orixás de cabeça dos médiuns. Caboclas das águas, apesar de o comando geral de todos os caboclos ser de Oxosse.

Linha de Ogum ou da Lei Divina: Regida por Ogum o orixá guerreiro e ferreiro. Também engloba Iansã orixá guerreira e das tempestade, que aparece também na linha de Xangô. Seu elemento e o ar e seus locais são os caminhos, seja de terra, estradas, estradas de ferro etc. nela estão todos os espíritos caminheiros, como boiadeiros e guerreiros. Na Umbanda também os Exus de Lei são comandados pelo Orixá Ogum. Esses são os poderes executivos da Lei. Os Exus de Lei trabalham nas Trevas a favor da Luz. Todo o conhecimento de trabalhos de ferro, armamentos são creditados a Ogum, o Metalúrgico de Aruanda.

Linha da Justiça Divina ou de Xangô: Regida pelo Orixá Xangô o Rei da Justiça Divina, do fogo Sagrado, do Raio e do Trovão, das Pedreiras e Cachoeiras de altas quedas. Junto a ele Está também Iansã, nas tempestades, nos ventos, pois essa também compartilha de seu poder. Seu elemento é o fogo.

Linha de Oxosse ou das Matas: Regida pelo Orixá Oxosse, o caçador. Comanda os caboclos de penas. Essa linha rege o conhecimento prático, a verdade, a cura através das ervas, protetor as das matas e animais selvagens. Linha da Prosperidade e fartura. Caçador de Almas perdidas.

Linha dos Erês: Regida por Ibeji, orixá infantil, na mitologia africana são os gêmeos filhos de Iansã. Comandante das nossas amadas crianças ou Erês, espíritos de aspecto infantil, que se apresentam como crianças de variadas idades, raças e temperamentos. Nessa linha impera a alegria, a inocência da infância, o frescor da juventude e a sabedoria infantil. Suas cores são diversas, predominando sempre rosa e o azul claro, seus elementos também são diversos de acordo com cada orixá de cabeça.

Linha das Almas ou de Obaluaê/ Omulú: Regida pelo Orixá Obaluaê / Omulú, o novo e o velho. Da cura de doenças graves, da morte, guardiões dos portais de passagem, seu campo sagrado é o cemitério. Também engloba a Orixá Nanã Buruque a mais velha, a anciã, aquela que espreita a morte e dita o destino. Linha da transformação e da transmutação. Comandante das linhas dos pretos e pretos velhas, os Baianos, Malandros, Cangaceiros etc. Eguns (espíritos dos mortos). Nessa linha também encontramos os espíritos de cura como Bezerra de Menezes, e os chamados “espíritos de mesa branca”. Rege a ancestralidade, o conhecimento profundo e oculto, a cura, a humildade. E o fim, para um novo recomeço. 


Por: Janaína de Souza


 *Lembrando que essa é a minha visão. Gostaria que os visitantes colocassem comentarios. Correções, adições etc...
Que Oxalá abençoe a todos.

 

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sexta-feira, 18 de março de 2011

O Filósofo e o Preto Velho
Texto do Jornal Nacional de Umbanda

Certo dia, um filósofo adentra a uma tenda de umbanda e senta-se no banquinho de um preto velho. Sua intenção era questionar, investigar; enfim, experimentar.
Ao se sentar, o preto velho já sabia o que ele queria, mas mesmo assim saudou-o gentilmente e perguntou em que poderia ajudar. O filósofo respondeu:
_ Meu preto velho, na era da biotecnologia vemos os cientistas avançarem cada vez mais nas pesquisas referentes à manipulação do material genético humano. Além disso, estamos na era do multiculturalismo, de forma tal que a diversidade, inclusive no sentido intelectual, se faz cada vez mais presente. Pergunto eu: _ o que pode um preto velho dizer sobre assuntos de tamanha complexidade?
Preto Velho, com toda sua calma, respondeu gentilmente ao filósofo:
Misin fio, vós suncê (Sic) tem palavra bonita na boca, por causa de que tu és homem letrado (Sic). Nego véio cá, num estudou nem escrevinhou essas coisa. Mas daqui do meu cantinho, aonde os ventos de Aruanda tocam em meus ouvidos, recebo as notícias que vem da Terra. Vejo também com meus próprios olhos e presencio as lágrimas e sorrisos que brotam como flores e espinhos no âmago de meus filhos.
Vou dizer a vós suncê uma coisa. Esse bicho chamado “biotecnologia”, eu sei muito bem como funciona. Misin fio, [bio] vem do grego “bios” = vida. “Téchne” e “Logos” também vem do grego, fio. Logo, biotecnologia é o conhecimento sobre as práticas (manipulação) referentes à vida.
Assim sendo, nego véio é a favor de tudo que respeita a vida e que é usado para o bem. O bem, não só de si mesmo, mas da humanidade. Uma faca pode ser uma ferramenta de cozinha e ajudar a preparar um alimento. No entanto, a mesma faca pode ser uma arma a machucar alguém. Não é a ferramenta, mas sim o que se faz com ela que torna perigosa a humanidade.
Pasmo, o intelectual não sabia o que dizer, tamanha sua surpresa sobre tão sábias palavras. E não só isto, o conhecimento até sobre a origem das expressões que vem do grego, aquela humilde entidade possuía.
Por alguns segundos sentiu um misto de inveja e indignação, uma vez que pensou ser mais conhecedor sobre as coisas da vida que o Preto Velho. Daí então indagou:
_ Você acha que suas opiniões podem superar a luz da ciência? Este, respondeu:
_ Fio, o que nego véio fala, nego véio comprova, pois este nego vivenciou. Caminhou na terra que vós suncê pisa hoje. Sorriu, chorou, se emocionou, amou. Conviveu com homens de bem e também com homens do mal. Fez suas escolhas e por isso é hoje um espírito guia. E só pude aqui chegar porque acertei na maioria das escolhas que fiz. Naquelas em que não acertei, tive que vivenciar novamente, até aprender. Assim como vós, na Terra.
Quanto aos estudos (risos), esse nego véio aqui não frequentou escola na última encarnação. Mas, das muitas encarnações que tive, eu estudei, me formei e, em algumas delas me doutorei. A medicina chinesa, a filosofia grega, a sabedoria hindu; tudo isso fez parte da minha evolução. Da matemática egípcia até os estudos astronômicos de Galileu pude aprender.

E depois de aprender tudo isso, sabe qual o maior ensinamento que obtive misin fio?!
A ter h –u- m- i- l- d- a- d- e.

Por isto, doutor, vós me vês na aparência de um velho escravo brasileiro,
semeador das raízes deste lindo país chamado Brasil, terra da diversidade, da multi culturalidade.
Que cada um formule a sua moral da história.
Porém, questione seus conhecimentos e veja se estão alinhados com os propósitos de simplicidade.
Pois sem ela, não se faz jus a benção do saber.


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"Umbanda é Religião, portanto só pode fazer o BEM !!